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Suavidade.

por Fernando Lopes, 16 Nov 16

Dado o meu temperamento stressado, desbocado, intempestivo, admiro quem consegue passar pela vida com alguma suavidade. O Paulo Bento tinha a tranquilidade, eu é mais a suavidade. Procuramos compensar o que nos falta, daí que admire esta faceta, em particular, no feminino. Uma mulher que nos chama à razão, nos dá uma descasca, de um modo tranquilo, meio pedagógico, ligeiramente matriarcal, é outra loiça. À hora que tomo pequeno-almoço, está quase sempre uma jovem mulher muito alta, na casa dos 30. Não sei se pelo tamanho imponente, se por natureza, a rapariga é extraordinariamente calma, aprazível, com um tom de voz e um jeito de se exprimir tão calmo que quase apetece confessar-lhe todas as dores de alma e pecados do mundo. Hoje falava com a senhora do café sobre o seu filho, com o seu modo tranquilo sem ser xóninhas. Muitos tendem a confundir uma coisa com a outra. A uma mulher abebézada, não acho grande graça, marca uma fronteira muito ténue entre doçura e patetice. Mas aquele lado calmo, quase ternurento, exerce sobre mim enorme fascínio. É tudo o que não sou.

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1 comentário

De Anónimo a 17.11.2016 às 10:26

Não sou exactamente como te descreves e te conheço mas não estou muito distante. Isto para dizer que tenho andado nos modernos vasos comunicantes a empanturrar-me com uma mulher assim.
Filipe de barriga cheia

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