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Rapioqueira.

por Fernando Lopes, 15 Jun 14

Os filhos herdam de nós uma estranha mescla; umas vezes vemo-nos reflectidos num espelho, outras ainda, são iguais ao outro progenitor, muitas nos surpreendem com o seu modo único de ver as coisas. A minha filha herdou de mim a rapioquice, sempre pronta a alinhar em festividades várias. Acompanhou-me para um encontro com amigos, extra-motivada por o local de encontro ser o «Aduela», taberna urbana de petiscos vários, onde lambuza os beiços com presunto, queijo, filetes de sardinha em conserva, ovos verdes e outras iguarias. Os filhos únicos habituam-se a ter como companheiros quase em exclusivo os adultos, daí que lhe seja natural o convívio com gente muito mais velha a quem orgulhosamente chama «os nossos amigos».

 

Tento expô-la a situações várias, a mostrar as múltiplas faces da vida. Faço-o exibindo um mundo longe de ser cor-de-rosa, em que coexistem glória e fracasso, pobreza e opulência, sensibilidade e indiferença, inteligência e imbecilidade. Como resultado, acabámos por jantar numa cantina mexicana, tendo terminado a noite a passear por becos e vielas da Sé.

 

Algo que me orgulha – modéstia à parte – é que me parece que estou a criar um bom ser humano, consigo que não faça julgamentos; as pessoas são como são, fruto da sua circunstância, sem que isso as valorize ou desmereça. Quero que se sinta como eu, tão à-vontade num ambiente sofisticado como numa associação recreativa de bairro. Espero conseguir.

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4 comentários

De Carla a 17.06.2014 às 13:42

O menino quer um babete? ;)

De Fernando Lopes a 17.06.2014 às 18:54

Olha pra ela ela! Até parece que não é a menina do pai.
:P

De Carla a 17.06.2014 às 22:53

Por acaso, nem por isso. Em abono da verdade, acho que nunca fui a menina de ninguém - nesse sentido.

De Fernando Lopes a 17.06.2014 às 23:11

Acho que todos merecemos ser «os meninos de alguém», no sentido paternal do termo, em que alguém nos ama, cuida e protege. Mas isto são concepções de um velho bota-de-elástico.

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