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Quando se perdeu tudo, até o amor-próprio.

por Fernando Lopes, 24 Fev 18

Cada vez que passeio pela cidade continuo a cruzar-me os despojos dos que nada têm. Colchões e cobertores arrumados debaixo de uma qualquer entrada à espera que chegue o frio, e que debaixo dos andrajos alguém encontre algum calor e conforto. Na rotunda da Boavista um desses homens impressiona. Prostra-se como se de um muçulmano virado para Meca se tratasse. Esconde a cara entre os braços e coloca as mãos velhas e sujas por cima da cabeça, gemendo e implorando esmola. O receptáculo das moedas é um copo de Pepsi, ironia das ironias, a humilhação de um ser humano encimada por um copo de uma multinacional. Teatralização à parte, um homem assim, prostrado, gemendo e escondendo a face já perdeu tudo, até o amor-próprio. Situações assim deixam-me triste e envergonhado por pertencer a uma sociedade que tal permite.

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