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Preso na normalidade.

por Fernando Lopes, 2 Jul 15

Carrego comigo inquestionável fascínio e admiração relativamente às pessoas libertinas, não tanto as sexualmente livres, mas as que ignoraram convenções, ideologias, e vivem(ram) à margem por opção ou porque foram empurradas para tal. É sempre nas margens que está o que interessa conhecer, o quê ou quem é livre, algo que derruba barreiras.

 

Reflectindo friamente, é um modo absolutamente egoísta, onanista, de se viver. Estar preso na normalidade é talvez um modo mais sofrido, com mais compaixão, de encarar o mundo e os outros. Porque a humanidade é constituída por todos, homens e mulheres, bêbados e sóbrios, adictos e não dependentes, viver uma vida anónima para cuidar de si, e principalmente dos outros, pode não ser poético, inspirador, quebrador de convenções, mas é absoluta e inquestionavelmente respeitável.

 

Tomemos-me como exemplo. Sou um cuidador que necessita de ser cuidado. Em algumas trivialidades do dia-a-dia sou tão inapto como uma criança de cinco anos, emocionalmente, um funâmbulo. E no entanto cuido da minha mulher e filha com desvelo, como se fossem um membro do meu corpo.

 

O egoísmo de viver a «minha vida» nunca se sobrepôs aos cuidados, carinho e atenção que lhes devo. Há um modo bom e um mau? O «altruísmo» que carrega a vida familiar matou-me os sonhos, ou serei melhor ser humano assim, encarcerado nesta prisão de normalidade pequeno-burguesa?

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4 comentários

De Maria Alfacinha a 02.07.2015 às 07:01

E que tem de bom uma vida em que não cuidamos de outros? 
Que triste, que vazia seria...Image

De Fernando Lopes a 02.07.2015 às 10:20

E simultaneamente livre, Maria. É a vida que escolhi, que escolheste, mas ocasionalmente pesamos as perdas e ganhos. Certamente já que te questionaste sobre isso.

De Maria Alfacinha a 02.07.2015 às 10:39

A minha vida não se pautou - nem pautará, suspeito... - pela dita normalidade mas teria sido mais livre se tivesse optado por viver completamente (mesmo, mesmo, mesmo) à margem de tudo? Não sei, sinceramente. 
Se foi esta a vida que escolhi? Sim e não. A parte que eu escolhi está cá quase toda; o resto não dependeu de mim. E não me questiono muito :-)
Pode parecer - e é! - uma frase feita mas sou o que devo ser, estou onde devo estar e tenho o que devo ter. E quando entendes e sentes isto - não basta repetir como um mantra, tens que o interiorizar, compreender, acreditar - a vida é tão mais simples. :-)

De Fernando Lopes a 02.07.2015 às 10:55

Acho que não escolhi a minha vida, simplesmente fluiu e tomou o seu caminho como um rio. Por defeito ou feitio passo a vida a questionar-me sobre tudo. Mais do que entender o teu ponto de vista é fundamental senti-lo, não é?


P.S. - Estou de férias. Interrompi a resposta porque tocaram à porta, uma mulher que queria falar sobre o futuro. Sinal divino? :))

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