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Peregrinação.

por Fernando Lopes, 8 Mai 17

Não sendo um homem de fé, confesso uma pitada de inveja dos que a têm. Ter fé deve dar um sentido à bondade, à compaixão, que não tenho. Dá significado a esta vida sem ele. Coloca as coisas numa perspectiva diferente. Procuro ser bondoso, compassivo, apenas porque acho que é assim que deve ser, porque não saberia ser de outra forma. Não existe um objectivo nesta forma de actuar que não um imperativo ético. O sentido da vida, essa questão do milhão de dólares, para mim não existe. Apenas fazermos o melhor que nos for possível, connosco e com os outros. Porque sim. O fim é apenas isso, um fim, um apagar de luzes, fim de festa. Não acredito em céu, energias cósmicas, reencarnação. Acabou e pronto. Dito isto, não sou insensível aos milhares de pessoas que estarão neste momento na estrada, a caminhar para Fátima. Deve ser libertador, dar energia, coragem, ser movido pela fé. Nem que seja a fé num logro, com a participação de um idoso argentino como estrela convidada. Pensando melhor, não tenho inveja. Ser, enquanto o tempo o quiser, ficar em cinzas e fundir-se com a terra que nos gerou é recompensa mais que suficiente. A existência, é por si, a maior das dores e das recompensas.

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2 comentários

De Carlos A. de Carvalho a 08.05.2017 às 20:33

Depois do que li , me pergunto se o que li não for fé , o que será . Só não fazes parte do "rebanho" . És um ser abençoado . 

De Fernando Lopes a 08.05.2017 às 21:43

Fé, humanismo, ética, são tudo questões humanas, que no tocam. Tentamos ser a melhor pessoa que nos é possível, morremos tentando ser ainda melhores.


Abraço.

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