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Os pais dos outros meninos.

por Fernando Lopes, 3 Set 17

Uma das obrigações sociais que mais me incomoda é aquela de ser obrigado a trocar conversa com os pais dos rebentos com quem a filha partilha o estabelecimento de ensino. Nada tenho contra os pais dos outros meninos, com alguns até simpatizo, mas a maioria das vezes trata-se de um contacto que dispensaria de bom grado. Há uns tempos, numa dessas reuniões estava a mãe – e o pai – de um coleguinha da minha filha com quem nunca tinha trocado senão palavras de circunstância.

 

Tem aspecto de já bem para lá dos quarenta, tez morena e voz sonora. Por duas ou três vezes insinuou que eu já era velho. Tenho conhecimento do facto, embora também a interlocutora há várias décadas tenha passado a fase «flor viçosa». Respirei fundo mais que uma vez para não lhe dizer: – Já sei que estou um bocado velho, mas a senhora também tem um rabo 3XL e eu tive a educação de não mencionar esse facto. Para não responder a deselegância com deselegância, calei-me.

 

Olhei para o marido da dita e este estava longe de ser um Adónis. Para ser absolutamente sincero, para nove em cada dez mulheres eu seria bem mais papável que o cônjuge da dita. A sobejante era cega. Só um parêntesis para acabar com esse mito que os homens não se apreciam uns aos outros. É mentira. Talvez não utilizemos os mesmo parâmetros que as mulheres, mas todos nós sabemos muito bem o que é um tipo com bom aspecto.

 

A cereja do topo do bolo foi quando a criatura começou a queixar-se da vida, porque a mãe era rica e ela era tesa e renhónhó, renhónhó. Demonstrando um raciocínio próximo da amiba chega à conclusão que ser rico é que é, esse é o factor definidor do ser humano de qualidade. Apesar das cólicas, tentei explicar que o que define a qualidade de um ser humano é o que ele é e não o que tem. Duvido que a mensagem lhe tenha cegado aos neurónios.

 

Assim, agora que se aproxima um novo ano escolar em que estes convívios se tornarão quase inevitáveis, já fiz para comigo a promessa solene de só gastar a minha saliva com quem mereça. Para certas pessoas um bom dia ou boa tarde já é conversa mais que suficiente.

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1 comentário

De alexandra g a 04.09.2017 às 14:02

Deixei-me desses "convívios" ainda as meninas frequentavam o jardim de infância. Ou antes, passei a conversar somente com os pais, que as mães enojavam-me: no entender delas, tudo tão avançado e precoce com as crias, dos dentes à fala, ao passo seguro, eu sei lá. Com os pais a conversa resumia-se ao tempo, aquele que não consome as qualidades da filharada alheia nem tampouco hipervaloriza a sua = todos iguais e, por vezes, umas gargalhadas, que ainda se buscava o botão de Stop na criançada.


A maioria das mães, como se não bastasse, não usava a cadeirinha de segurança, que a criança detestava, pobrezinha, ainda podia ficar traumatizada para sempre... (argh!).


________
A mim, pela frente, como é fácil concluir, foi-me então reiterada a incompetência e a falha no estímulo. Os estímulos, aliás, todos Image
Teria preferido uma pepê, mas népias :D

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