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O reino do espertalhaço.

por Fernando Lopes, 2 Ago 17

É desde ontem destaque nas notícias um restaurante lisboeta que rouba turistas à descarada. No espírito sobrevivo do nacional-parolismo, os estrangeiros que nos visitam ainda são aqueles seres endinheirados, louros e gordos, que devem pagar uma espécie de imposto por estar a usufruir do espaço que é nosso, à boa maneira da idade média. Embora vergonhoso, é bem o espelho do chico-espertismo nacional, no país onde quem foge aos impostos não é criminoso mas espertalhão.

 

Paga-se e têm-se a sabujice, o servir primeiros os camónes em vez dos nacionais – esses ao menos deixam gorjeta, o linguajar em portunhol e quejandos, o desfazer-se em mesuras com a alemã avantajada como se da Claudia Schiffer se tratasse. Num velho jogo adolescente em que ingenuamente cheguei a participar, «sacar uma estrangeira», feia que fosse, dava mais pontos que conquistar a mais bela lusa. Está.-nos no sangue e pronto, aplica-se indiscriminadamente da alcova à restauração.

 

Este episódio fez-me lembrar um outro, mais de quarenta anos passados. Nas primeiras vezes que fomos ao Algarve (71 ou 72), jantamos em Faro num local que só tinha lista em inglês. Perante os protestos do pai – lembro-me porque o episódio me constrangeu – lá se justificaram que ainda estavam a fazer a lista em português. Uns percebes a saber a borracha, uma açorda de marisco de onde o dito se encontrava ausente – ao menos o pão estava molinho – e uma conta exorbitante depois, guardei para sempre essa imagem de como era ser estrangeiro no seu próprio país. Não mudou nada, os portugueses continuam a ser uns espertalhaços.

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3 comentários

De alexandra g. a 03.08.2017 às 00:03

alguns portugueses, deixa que sublinhe, principalmente nas zonas de praia & sol (sempre são umas centenas de kms, ok, mas não o país inteiro).


onde vivo - e não gosto de viver, como é sabido, o acolhimento é genuíno, cousa que ainda me causa espécie, tanto aos indígenas como aos estrangeiros: não me perguntes se isto é para durar, desconheço-o, mas é um facto.


devo acrescentar, contudo, que não percebi ainda a razão pela qual estou - aqui - 'queimada':) 


_______
política & negócio andaram sempre de mãos dadas?...

De Fernando Lopes a 03.08.2017 às 01:11

Claro que alguns portugueses gostam genuinamente de alguns estrangeiros. Seres humanos gostam de seres humanos. Mas há um qualquer gene mercantil - herdado dos árabes who knows - que descamba quase inevitavelmente no servilismo interesseiro. Esfolá-los o mais possível. A cereja no topo do bolo é comer-lhes as mulheres. 

De alexandra g. a 04.08.2017 às 00:11

ei, nada de "gene mercantil" (cousa inocente), menos ainda "herdado dos árabes" (cousa de mui perigo, nos dias de hoje):


isto soa-me àquela estória de aterrrizar meninos de escola básica com as tretas da "Invasão Árabe". Fónix, que de árabe teve pouco ou nada. É olhar para os povos do norte africano e ver quem por lá habitava e quem veio por estas terras. Os males que ficaram por cá têm, ainda hoje, uma origem mais do que preponderante: o cristianismo e, posteriormente, o catolicismo, que dividiu para sempre a Europa. Está à vista, com o resto dos fundamentalismos que mencionas, todos, ou quase, por bandos de energúmenos (mas é provável que tenha sido sempre assim: bandos, energúmenos, e pelo meio alimárias com muito poder económico e político).

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