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Não quero mudar-te.

por Fernando Lopes, 12 Mar 17

Estas três palavras seriam a maior declaração de amor que poderia alguma vez ouvir. Não creio que tal tenha acontecido. Aceito-te como és, depressivo, com alterações de humor súbitas, borderliner, preguiçoso, teimoso, desastrado no bricolage, incapaz de cozinhar algo mais que tostas mistas ou pizza, flatulento, irascível, obstinado, asneirento, maníaco. Não quero mudar-te porque em ti vejo algo maior que os teus defeitos: a tua honestidade, integridade, frontalidade, humor. Ouvi algo semelhante num filme, mas já se sabe que tão pungentes afirmações de amor só existem nos filmes. Provavelmente porque nos filmes não existe um cancro chamado dia-a-dia.

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3 comentários

De Henedina a 14.03.2017 às 00:08

Ninguém muda ninguém? Ou muda?

De Fernando Lopes a 14.03.2017 às 07:27

O tempo muda-nos. Depois, há quem tente mudar-nos. ;)

De alexandra g. a 15.03.2017 às 19:27

Sábio, muito sábio :)
______
p.s. - também a propósito disto: http://mas-o-texto.blogspot.pt/2017/03/imprecisoes.html e dos comentários que se seguiram. 

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