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Não quero mudar-te.

por Fernando Lopes, 12 Mar 17

Estas três palavras seriam a maior declaração de amor que poderia alguma vez ouvir. Não creio que tal tenha acontecido. Aceito-te como és, depressivo, com alterações de humor súbitas, borderliner, preguiçoso, teimoso, desastrado no bricolage, incapaz de cozinhar algo mais que tostas mistas ou pizza, flatulento, irascível, obstinado, asneirento, maníaco. Não quero mudar-te porque em ti vejo algo maior que os teus defeitos: a tua honestidade, integridade, frontalidade, humor. Ouvi algo semelhante num filme, mas já se sabe que tão pungentes afirmações de amor só existem nos filmes. Provavelmente porque nos filmes não existe um cancro chamado dia-a-dia.

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2 comentários

De lucilia a 12.03.2017 às 22:42

A propósito, a "mãe preocupada" escreveu isto -Boa semana Fernando

O amor é mais verdadeiro quando dele não se espera o filho, a casa, as férias, a estabilidade. Meter o amor no saco dos projetos de vida é o que o corrompe e deturpa. Ama-se com honestidade depois das vulgares realizações, quando sobra e vem à tona exatamente apenas o que somos. E por isso um amor novo no coração dos velhos é feliz e desprendido.
Até lá, ama-se uma expectativa, não uma realidade. Sorte a daqueles – raros – em que há coincidência.  

De Fernando Lopes a 12.03.2017 às 22:54

Sendo que nisto de expectativas, as mais das vezes saem defraudadas. Amar, é amar por inteiro, mesmo aquelas pequenas coisas que nos irritam, mas sem as quais aquela pessoa não seria a mesma. Passa por um enorme dose de aceitação das fraquezas do outro e as minimizar tanto quanto possível. 

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