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Maquilhador por um dia.

por Fernando Lopes, 9 Ago 16

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Quem me conhece sabe que sou um bocado old school. Produtos de beleza para homem sempre me pareceram desnecessários. Lâmina da barba, um after-shave, desodorizante com fartura, um toque de perfume, é mais que suficiente. Cá em casa, a pele das madames é impecavelmente tratada com cremes da melhor qualidade. Nota-se, duas carinhas larocas, é dinheiro bem gasto. A filha, onze anos, começa a ter as preocupações femininas habituais. Estava com um borbulhas e queria colocar um esfoliante – fui à net confirmar se este era o nome correcto.

 

- Ó paiiiiiiiiiii, anda-me ajudar a pôr a máscara na cara!

 

- Não seria melhor falares com a tua mãe? Não percebo nada disso.

 

- Já sabes que a mãe está sempre a trabalhar. Não te importas de ajudar?

 

Não tive alternativa. Ajudei-a a colocar uma argila verde, arenosa, que deve arranhar imenso. Ficamos dez minutos à espera que o «barro» secasse, depois ajudei-a, lavando muito lentamente. Devo confessar que fiquei convencido, uma parte substancial das espinhas tinha desaparecido. A criança continuou o resto do «tratamento» com um hidratante qualquer. Quando ela era muito mais pequena, costumava dar-lhe banho, escovar e secar o cabelo. Mimetizava um anúncio, dizia que era o Frank Provost. Agora dei em «maquilhador», «tratador de pele», ou lá como é que se chama a profissão. Em verdade vos digo, não há quase nada que um pai não faça por uma filha.

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4 comentários

De Genny a 09.08.2016 às 22:52

É tão bom partilhar estes momentos da vida delas. A minha já tem 22 anos e ainda somos assim. Elas não esquecem estes momentos.
Um abraço!

De Fernando Lopes a 09.08.2016 às 23:20

Já me habituei ao papel de pai/mãe. Não é importante que ela se recorde, quero é que sinta que o pai está sempre lá, até para coisas para as quais não está minimamente habilitado.


Qual abraço, toma lá um beijo. 

De alexandra g. a 10.08.2016 às 00:51

já que não tenho grandes chances de fazer o que queria (realização de cinema), tenho a declarar que não fizeste nada de especial, antes o que te competia :P


parabéns à tua garota, assertiva :)

De Fernando Lopes a 10.08.2016 às 01:41

Isto não é gabarolice, é só uma «estória» familiar e manifestação de pasmo por ser chamado a tão nobre tarefa. ;)


Eu queria ser jornalista, acabei num banco. Vendido! 

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