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Lisonja.

por Fernando Lopes, 14 Nov 16

Apesar da minha provecta idade continuo a ser surpreendido por algumas fraquezas do ser humano. O tempo têm-me vindo a provar que praticamente ninguém é insensível à lisonja. Não estou a pensar em alguém normal, mas digamos, por conveniência, pessoas de inteligência superior. Na minha ingenuidade, um intelecto de excepção não cederia à «graxa», por mais elaborada que fosse. Puro engano. Por muito brilhante que seja, ninguém resiste a afagos no ego. Porque ele é enorme, e como uma sequóia, crescerá indefinidamente, ou por mais prosaico motivo; debaixo de toda a inteligência e argúcia, continua a existir alguém frágil e inseguro. Admiro poucos, lisonjeio ninguém, mas apercebo-me dessa debilidade transversal a todo o ser humano, do pateta ao erudito.

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2 comentários

De Ana A. a 14.11.2016 às 18:58

 "...apercebo-me dessa fraqueza transversal a todo o ser humano, do pateta ao erudito."

Sendo verificado em "todo" o ser humano, porquê a surpresa?!

De Fernando Lopes a 14.11.2016 às 19:01

Porque de alguns não esperaria tal. É um manifesto de desapontamento, se assim o quiser entender.

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