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Hibernar.

por Fernando Lopes, 10 Fev 15

Gosto de trabalhar. Tal não significa que se ficasse multimilionário passasse o resto dos meus dias no ofício de amanuense. Com muito dinheiro seria uma espécie de Gaugain sem telas ou pincéis, viajaria por ilhas tropicais, admirando colares de flores e seios desnudos de roliças nativas. A escassez de talento para a pintura levar-me-ia a escrever, sendo culpado de uma assentada do assassínio  da nobre arte dos diários de viagem e da ciência da antropologia.

 

Estou-me a imaginar em tropicais paragens, porque trabalhar no Inverno é-me muito difícil. 7:15 e toca o telemóvel. Carrego no botão do «snooze» para mais 9 minutos de preguiça. Repito a operação. Lá fora brilha um sol de fingimento, que ilumina mas não aquece. Puxo o ederdon deixando apenas a ponta do nariz de fora. Estão 3 graus centígrados e está-se bem ali, protegido, uma espécie de útero materno quente e aconchegante.

 

Todos os dias de Inverno representam um enorme exercício de força de vontade, a luta para não ficar a preguiçar. Nado e criado neste semitropical Portugal, é um mistério como é que os povos do norte todos os dias se levantam, vencem barreiras, a neve, e vão à luta. Num clima extremo ficaria a hibernar até que a Primavera chegasse. Mesmo em Portugal é uma hipótese que não desdenharia.

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2 comentários

De .. a 12.02.2015 às 00:09

Revejo-me em tanta coisa aqui. No ficar com o nariz de fora, ou nem isso e adorar o Inverno mesmo assim. Cá por casa era ás 6.20h que tocava o bendito "coiso" aqui a rapariga às 6.50 estava na paragem, para "apanhar" uma camioneta! Nunca corri muito atrás dela, embora algumas vezes (raras) me fugisse, depois disso era chegar ao Barco. Fresquinho, o mar logo de manhã e atravessar o Cais do Sodré até ao autocarro,depois. De lá um bocado a pé, pouco e às 7 e 50 entrava no Hospital para as 8 estar de batinha vestida a atender os "clientes" que coitados já lá estavam bem antes de mim, com um sorriso de orelha a orelha e muito mimo por todos! Um sono permita-me a expressão, do caraças, porque às vezes nem dava para beber café que só se bebia quando dava. Tudo isto terminou com uma correria para a tal camioneta, um tornozelo fracturado de uma forma que só eu consigo, duas operações e três anos de recuperação e um parafuso que me faltava claro. Mas no Verão era bom! Quem me dera também viajar mas eu se fosse como o Fernando também escreveria arrasando com a língua coitada que não tem culpa nenhuma de eu cismar com ela, mas iria para as montanha e os grandes lagos gelados. Mesmo a gostar de me aninhar no quente. Para onde pouca gente se visse e muito animal me cumprimentasse pelos prados. Enfim... Maluquices, adorei como sempre o seu post é sempre uma insipração! Desculpe o extenso e as minhas palermices não é por mal somente por me sentir aqui bem e por amizade e admiração genuínas! Bem haja. 

De Fernando Lopes a 12.02.2015 às 19:04

Tolero o frio num dia de sol, mas sou na essência um bicho de calor. O que faz a riqueza de um blogue é haver alguém disposto a partilhar experiências, como o faz a Fátima.


Abraço. 

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