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Heterodoxias.

por Fernando Lopes, 17 Mar 14

Ao ler a crónica de José Manuel Pureza, com que concordo em grande parte, gostaria que a questão fosse colocada de modo mais abrangente. “Há quem ainda o faça à bruta - as 14.700 queixas de violência doméstica apresentadas à polícia só no primeiro semestre do ano passado atestam-no bem.” Nesta guerra, como em todas aliás, é este maniqueísmo assusta. Um homem que é vítima de violência física e principalmente psíquica por parte da companheira raramente apresenta queixa, e no entanto muitos são vítimas de constante pressão psicológica, desvalorização, achincalhamento, numa base diária, não há é estatísticas que o comprovem.

 

Não sei bem em que planeta vive JMP, mas existem muitos homens que se dedicam à paternidade em full-time sem que isso os diminua ou estigmatize. É uma opção, respeitável como qualquer outra. Embora subsistam desigualdades – a questão de salários p. ex. – notam-se claramente mais mulheres em cargos de chefia, governação, na sociedade em geral.

 

O lugar das mulheres – e dos homens – é onde se sentirem felizes, completos como seres humanos; se isso é em casa ou à frente de uma multinacional é-me completamente indiferente.

 

Antes da identificação de género, há um grupo mais abrangente a que todos pertencemos – a humanidade. Um homem declarar-se feminista é perfeitamente legítimo, eu cá prefiro proclamar-me humanista. 

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3 comentários

De Carlos Azevedo a 19.03.2014 às 01:21

A título de provocação, deixo aqui um excerto de uma entrevista a Francesco Alberoni («Pública», 12/11/2006):

Pública: Toda a evolução para a igualdade entre sexos foi uma ilusão?
Francesco Alberoni: Igualdade? Toda a vida se baseia na diversidade.

P.: Não estamos a falar de diversidade, mas de superioridade, de opressão.
F.A.: Uma das fontes de sofrimento das mulheres, hoje em dia, é não encontrarem homens superiores.

P.: Superiores a elas?
F.A.: Sim. São iguais ou inferiores.

P.: Isso é mau?
F.A.: O aumento do poder feminino fez com que seja difícil a elas encontrarem um homem que lhes seja superior, que as dirija. A maior parte das mulheres de 30 anos diz que não encontra um verdadeiro homem.

P.: Um verdadeiro homem é um que as domine?
F.A.: Em dois milhões de anos foi assim. Não vai mudar em dez anos.

P.: Precisaremos de mais dois milhões de anos para mudar?
F.A.: Não, mas não será em meia dúzia de anos. este é um fenómeno histórico em que as mulheres têm dificuldade em arranjar um homem que lhes sirva.

P.: Estamos num período de transição?
F.A.: Sim. é um período de transição e há problemas típicos das fases de transição. Mas não podemos ignorar os factos. Há coisas que ninguém admite. Que as mulheres não dizem, que os homens não dizem. Mas digo-o eu, como estudioso. Por exemplo, é verdade que quando um homem começa a evidenciar-se, a tornar-se conhecido, tem um séquito de mulheres à sua volta. isto pode ser chocante, pode ser injusto, mas é um facto.

P.: Porque não acontece o mesmo com as mulheres?
F.A.: Porque durante dois milhões de anos os homens não precisaram de mulheres que soubessem lutar contra os animais. Essa é a razão.

De Fernando Lopes a 19.03.2014 às 11:51

Existe de facto uma animalidade nas relações que muitas vezes não é tida em conta. A senhora da foto Camille Paglia também vai por aí.

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702303997604579240022857012920

De Carlos Azevedo a 19.03.2014 às 22:17

Fernando, o que eles dizem é uma parte da realidade; há mais a dizer para além disso.

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