Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fuga.

por Fernando Lopes, 4 Jun 17

Todos conhecemos aqueles casais em que nada bate certo. Às vezes erro de avaliação de terceiros, as mais das vezes nem por isso. Ele um tipo magro, bem parecido, olhos claros e cabelo precocemente grisalho. Tinha pretensões a artista, gostava de pintar, de poesia. Tenho dificuldade em definir se seria frágil ou se usava a pretensa fraqueza como charme. Ela tinha um ar assustadoramente masculino. Cabelo curto, voz grave e profunda, ar de fêmea alfa, porte grande e intimidante. Naquela personagem pouco havia de feminino, sempre fiquei com a imagem de um espécie de amazona, guerreira, quem em casa e fora dela tudo decidia. Dizem-me que ele saiu de casa para não mais dar sinal de vida. Desconheço as razões da «fuga», compreendo que dela tivesse medo. Falava com nele num tom que a todos atemorizava. Talvez fosse apenas o seu jeito, mas macho não havia que não manifestasse desconforto na sua presença. Sou muitas vezes frágil, outras tantas irascível e quezilento, mas nunca por nunca conseguiria partilhar a vida com alguém que me amedrontasse.

Autoria e outros dados (tags, etc)

3 comentários

De alexandra g. a 04.06.2017 às 23:07

Alembraste-me de uma professora de Estudos Literários que (foi caso único, enquanto aguentei a FLUC) dava aulas com um parceiro (a cadeira era dele, um inglês). A introversão comunicativa dele vs a agressividade comunicativa dela, a calma dele vs a violência verbal dela, tanto etc. 


Gostei de ambos, confesso, foram aulas estimulantes, cheguei a comparecer mesmo após 'directas' (Coimbra will be Coimbra), pelo estímulo intelectual, mas ele era um homem feliz e ela era profundamente infeliz, só um imbecil chapado não o perceberia.


Diferenças existem que se complementam, ponderado o factor conhecimento; outras, são o vazio total (os dois de quem falei eram tão absolutamente complementares, enquanto colegas, que ainda hoje me recordo de falas, linguagem corporal: de ambos :)

De Fernando Lopes a 04.06.2017 às 23:31

Neste caso não havia complementaridade, a figura feminina além de dominante também era opressiva. Oprimidos, erguei-vos. Ou fujam. 
Image

De alexandra g. a 04.06.2017 às 23:35

lindezo de padrinho,


o mundo está cheio de gente asna, emocionalmente atribulada (não era ocaso dos meus profs. :)!

Comentar:

De
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.
Comentário
Máximo de 4300 caracteres

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • M Manel

    Só agora vi a mensagem anterior - note-se que quem...

  • M Manel

    Uma ajuda... Arranja aí uma base para eu poder de...

  • Anónimo

    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

  • Anónimo

    Que será feito do gerente desta coisa?Filipe em es...

subscrever feeds