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Femininas manias.

por Fernando Lopes, 24 Mai 16

Para a maioria – e sublinho, maioria – das mulheres, nós homens temos a obrigação de adivinhar os seus desejos. Nunca são claras no que pretendem, mantendo tudo numa névoa sebastiânica. É nossa obrigação adivinhar o local em que desejam jantar, o presente que querem no aniversário, o museu a conhecer, o livro a ler, onde pretendem passar férias.

 

Quando erramos redondamente, acusam-nos de não ter entendido as «dicas», ouvido as pistas.

 

Se fossemos muito bons a seguir pistas, adivinhar palavras soltas, seríamos todos criminologistas, C.S.I.s, cães pisteiros. Não é por mal, mas as subtilezas femininas as mais das vezes escapam-nos completamente.  Somos patetas? Sem dúvida, mas agradecemos encarecidamente às senhoras que não nos façam adivinhar.

 

Existem mulheres que sabem o que querem, ao que vão, e dizem-no. As minhas amigas são quase todas assim, pouco dadas a jogos de subtileza, mistério, adivinhação. Transparentes, claras, frontais. E é por isso que são minhas amigas, têm a capacidade de me dar um abraço ou de me mandar para o car..lho. Combinam os jogos de futebol a que querem que assistamos juntos, os concertos que temos de ver, aquele livro que têm mesmo de ler. Isto torna as relações tão mais fáceis.

 

Assim, do alto da minha provecta idade, deixo um conselho: não sendo óbvias, sejam claras. Digam que preferem o filme A ao B, um relógio de presente em vez do colar que corremos seca e meca para encontrar, que preferem as férias nas Caraíbas em vez da Islândia. Nós, uns simplórios, só precisamos que nos indiquem um caminho. Como vossos escravos, ficaremos contentes por vos seguir, desde que saibamos exactamente o que pretendem.

 

Até na vida íntima esta frontalidade facilita. Quantas de vós verbalizaram que gostavam de um homem sem andarem às voltas como os cães que perseguem as caudas? Acreditem, a clareza feminina é algo que por tão escasso se transformou num bem altamente valorizado.

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8 comentários

De João a 24.05.2016 às 21:21

esta sabedoria só se atinge com a idade.E não está ao alcance de qualquer um.

De Fernando Lopes a 24.05.2016 às 21:50

Lamentavelmente não é sabedoria, apenas bom-senso. Já que existem tantos blogues sobre as idiossincrasias femininas, é bom que nós homens lhes demos a nossa visão - simplista, admito - de encarar o mundo. 

De alexandra g. a 24.05.2016 às 23:07

Ei, calmex.
Namorei entre 8/9 anos com o homem com o qual casei e que é o pai das minhas filhas. Divorciámo-nos, há 12 anos, e não foi seguramente por me ter oferecido coffrets de perfumes doces, mas oh! tão enjoativos!, quando sempre cheirei, seguramente, além da pele, a aromas cítricos e florais leves. Why, why, why, tamanha falta de olfacto?


Tem mesmo tudo que ser verbalizado ou existirá, indeed, em certos casos, falta de olfactos? :)


______
p.s. - uma forma fácil de colocar a questão, efectivolfactivamente :)

De Fernando Lopes a 24.05.2016 às 23:25

Há química, empatia, verbalização. Vós mulheres, tão prolixas, tendeis a fazer do vosso amado candidato a bruxo. Deveis deixar à química o que é da química, mas não teria sido avisado dizer-lhe que gostáveis de aromas florais e não doces? Ofende-lo-ia, ou torná-lo-ia, e a vós, mais próximos? Questionai-vos, pois em geral falais demasiado no acessório, e menosprezais o essencial. Tudo é importante, verbalizar não o é menos .


P.S. - Gosto deste tom medievo. :)

De alexandra g. a 24.05.2016 às 23:29

Caro Fernando,


há um momento exacto para isto: uma mulher percebe que, além de daltónico (o que é imensamente charmoso :) o rapaz, tornado homem, não tem mesmo "olfacto"...

De Fernando Lopes a 24.05.2016 às 23:34

Lamento informar-te, mas provavelmente incorreria no mesmo erro. Só para mim sinto o cheiro, e tem de ser a terra, pedra, couro, especiarias. Também oflactivamente somos universos díspares. 

De alexandra g. a 24.05.2016 às 23:37

Ok, eu, que sou "uma menina das Letras", mas absolutamente apaixonada pela Ciência, lanço-te um desafio: arranja algures um estudo que prove que o olfacto não é, efectivamente, o sentido mor. 

De Fernando Lopes a 24.05.2016 às 23:57

Não é cheiro no sentido convencional, são feromonas. É o nosso lado animal, Alexandra.

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