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Estilhaços do «ajustamento».

por Fernando Lopes, 19 Jul 17

Falava há dias com um amigo a residir e trabalhar em Inglaterra, em como a «crise», o «passismo», continuavam bem presentes no nosso dia-a-dia. Recorda-mo-nos todos de como antes de 2008 um ordenado de 1.000 euros era quase o mínimo para um licenciado. Dizia-se «um mileurista» como sinónimo de mal pago, a roçar o limite do aceitável, aquele ponto que permitia sobreviver mas que não possibilitava independência ou vida em comum. Nove anos passados a maioria de nós achará, sem pensar muito nisso, uma remuneração razoável. O «passismo», o manbo jambo do «vivemos acima das nossas possibilidades» entram pelas nossas percepções dentro como dado adquirido. Classes sócio-profissionais inteiras foram obrigadas a baixar remunerações. Os mais novos que decidiram não emigrar trabalham por uma côdea, saltando de estágio em estágio sem sonhos ou futuro. Quando os direitos, os salários, são assim cortados, esmagados, diz-me a experiência que já não há volta a dar-lhe, que nada voltará a ser como dantes. Como um estilhaço, está cá dentro, às vezes dói, e no entanto já nos habituamos a negar a evidência da sua existência.

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1 comentário

De Horizonte XXI a 20.07.2017 às 21:18

Sabes qual o termo técnico para a palavra "crise" ?
Transferência de riqueza.


Abraço livre.

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