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Enquanto há tempo.

por Fernando Lopes, 28 Jan 16

Irritam-me sobremaneira as almas que dizem que fariam tudo do mesmo modo. Tenho arrependimentos quási infinitos, uma enormidade de coisas mudaria na minha vida se atrás pudesse voltar.

 

Entre elas está a relação com o meu pai.

 

Morreu com a idade que tenho hoje, demasiado velho para ser um amado dos deuses, muito novo para regressar ao pó. Como muitos pais e filhos, a nossa relação pautava-se por uma conflitualidade latente. Iguais em alguns traços fisionómicos e de carácter mas com um mar de diferenças em tantas outras pequenas coisas. Digo sem pudor que sou muito melhor pai do que ele alguma vez foi.

 

E no entanto lamento não ter tido tempo de podermos envelhecer juntos.

 

Ocorre-se-me esta prosa porque o disse hoje de viva voz, a um amigo com relação espinhosa como a minha. Tens uma segunda oportunidade, aproveita-a.

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2 comentários

De pimentaeouro a 28.01.2016 às 20:53

Só os tolos dizem que fariam tudo igual, não sabem o que é a vida e as partidas que nos prega.
Quanto à paternidade tive menos sorte, o meu pai foi um canalha.

De Fernando Lopes a 28.01.2016 às 21:51

Os pais nunca são como os sonhamos, às vezes desiludem-nos mais porque deles esperávamos o que não podem(iam) dar. 

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