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Do poder analítico da literatura.

por Fernando Lopes, 25 Jul 16

Mas o tempo… o tempo primeiro fixa-nos e depois confunde-nos. Pensávamos que estávamos a ser adultos quando estávamos só a ser prudentes. Imaginávamos como estávamos a ser responsáveis, mas estávamos só a ser cobardes. Aquilo a que chamávamos realismo acabava por ser uma maneira de evitar as coisas e não de as enfrentar. Tempo… deem-nos tempo suficiente e as nossas decisões mais fundamentadas parecerão instáveis e as nossas certezas, bizarras.

 

[…]

 

Quantas vezes contamos a história da nossa vida? Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contamos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas – principalmente – a nós próprios.

 

JULIAN BARNES IN «O SENTIDO DO FIM»

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7 comentários

De Gaffe a 25.07.2016 às 20:13

Com este calor abrasador e o menino  tinha de me deprimir!
Tão verdade e como todas as grandes verdades até dói.

De Fernando Lopes a 25.07.2016 às 21:05

Para si, ainda muito jovem, são só «verdades distantes». Na medida em que envelhecemos tornam-se tão mais reais e dolorosas que nem imagina. 

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