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Dia 10, Biblioteca José Saramago, Cueva de Los Verdes, Playa de la Garita, Mirador del Rio, LagoOmar (casa de Omar Shariff), Fundação César Manrique.

 

P1010222.JPG «Escritório» de Saramago

 

Alugámos um coche. Saiu-nos na rifa dourado, nomeado pomposamente de champagne, feio como a noite, mas novo, ar condicionado and all that shit. Serve perfeitamente. Destino primeiro, a Biblioteca José Saramago. Cada grupo de visitantes, sempre restrito a um máximo de 10 ou 15 pessoas, tem direito a um daqueles aparelhómetros em que se ouve a voz de um narrador em várias línguas. Dispensável, pois calhou-nos um jovem barbudo com ar de intelectual de esquerda, que nos falou sempre em portunhol, eficaz, profissional, interessado, conhecedor. Estava o vosso escriba a fumar um cigarro enquanto aguardava o fim da visita guiada de um outro grupo, quando se depara com uma senhora pequenina e magrinha, cujo rosto era perfeitamente familiar. Pilar del Rio, que logo ali se mostrou particularmente agradada por existirem portugueses entre os visitantes e combinou uns momentos de conversa no fim da visita. Confesso que tinha da senhora uma imagem de pessoa arrogante e distante, guardiã do templo. Nada disso aconteceu, além de simpática, bem-disposta e despretensiosa, foi quase familiar. Toma lá que é para aprenderes a não fazer julgamentos precipitados.

 

 

A casa é como lhe chamam «uma casa de livros». Mas, mais que isso reúne um acervo artístico – pintura e escultura – bem interessantes, que por si só justificariam a visita. Mas é de livros que estamos a falar, conhecemos as duas salas – de descanso e reuniões – o gabinete de Saramago, cozinha e sala informal de jantar, e a biblioteca, também ela local de criação. É a casa de um artista, com quadros, artesanato, escultura, um jardim com uma vista magnífica, uma oliveira portuguesa, e uma cozinha onde nos foi servido café Delta, pois ao que Pilar contou, Saramago não era grande fã do café espanhol (não posso deixar de concordar). Mais que os detalhes, ficam as fotos e a recomendação para a uma visita que vale mesmo a pena.   

 

P1010238.JPG Vista do jardim


P1010240.JPG Biblioteca. Ao fundo uma cadeira e computador onde Saramago também escrevia

 

 

Partimos para a Cueva de Los Verdes, um conjunto de grutas esculpidas pela lava. Um percurso interessante, diferente das grutas que conhecia em Mira D’Aire, até porque são de formação vulcânica e não rochosa. Não existem as habituais estalactites e estalagmites, é belo sem deslumbrar. Abrilhantam a vista com uma surpresa final muito bem conseguida.

 

P1010261.JPGLuz vista da Cueva


P1010257.JPG Entorno da Cueva


Seguidamente dirigimo-nos à Playa de la Garita, conhecida por criar piscinas naturais e por ser quase exclusivamente frequentada pelos locais. Falaram-nos de grandes churrascos, famílias a conviver, um ambiente diferente dos locais turísticos. Assim é. As piscinas naturais dependem da maré, não as vimos que o tempo não pára. Ainda assim deparei com uma enorme paelha, numa frigideira de dois ou três metros de diâmetro, de onde todos se serviam. Deve ser divertido passar um dia ali, conversando, comendo e bebendo, dando uns mergulhos com as gentes de Lanzarote.

 

P1010287.JPG Playa de la Garita. Ali ao fundo mergulha-se, quem não quer arriscar fica pelo areal

 

Do Mirador del Rio vê-se uma pequena ilha ao Largo de Lanzarote, a Graciosa. Concebido por César Manrique, o edifício é discreto e integrado na paisagem. As cores da água, a paisagem, são absolutamente fabulosos. É conhecido como «del Rio» porque os locais chamam rio à pequena distância de água que separa as duas ilhas. Não vistamos o Mirador propriamente dito, com grande pena minha, mas o tempo e sobretudo o dinheiro não são elásticos.

 

P1010291.JPG Graciosa vista do Mirador

 

Existe uma lenda sobre uma casa que o actor Omar Shariff teria comprado e perdido ao jogo, LagOmar, um projecto de César Manrique e Jésus Soto. Aproveitando as reentrâncias criadas pela rocha, a casa é composta de pequenas salas, quartos, nichos. Está com um ar abandonado e no momento não havia guia ou literatura sobre a casa. Tem um restaurante gourmet e um pequeno centro de exposições. Pode valer como exercício de arquitectura, mas não é local que me tenha entusiasmado. Cheio de subidas e descidas esculpidas na lava, seria na prática inabitável ou apenas apropriada para aqueles tipos que treinam a subir e descer degraus para ir correr para a grande muralha da China. 

 

P1010305.JPGSobe, desce, desce, sobe, seria necessário ser um atleta para habitar LagOmar

 

Manrique, Manrique, Manrique. Manrique é o Gaudí de Lanzarote, a chave que define a estética de tudo o que vemos. Arquitecto, escultor, pintor, militante ambientalista, César Manrique é A personalidade. A sua casa-museu é absolutamente fabulosa, Lanzarote deve-lhe o modelo de desenvolvimento sustentado que existe na ilha, a coerência da arquitectura local. A casa é única, o acervo artístico fantástico, o ambiente especial. Um absoluto must see para qualquer visitante, que se cruza com esculturas do artista em vários locais (estradas, locais públicos). Faltam palavras. Absolutamente indispensável.

 

P1010309.jpg

 Escultura à entrada da Fundação
 
P1010312.jpg Pormenor de um dos jardins interiores

 

 

P1010317.jpg Centro da casa

P1010319.jpg Uma janela sobre a ilha

 

P1010358.jpg Mural

P1010367.jpg Escultura de Manrique em Thaíche

 

  

P1010371.jpg Porta da Fundação

 

 

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1 comentário

De Genny a 04.09.2016 às 10:39

Muito bonito!
Bom domingo, Fernando!

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    Não volta?!Vá lá...Escrever faz bem...e ler também...

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