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Das praxes, praxados e afins.

por Fernando Lopes, 28 Jan 14

Nos anos 80 as praxes eram uma quase ausência. Vieram pela democratização do ensino superior, pelas universidades privadas a querer exibir tradição inexistente. Com a proliferação de (re)cursos nos anos 90, o neto da Zulmirinha, caseira do sr. dr., filho do Tony, ladrilhador de 1ª, recentemente entrado em Engenharia de Minas com espantosa média de 9,5, sentiu-se igual à velha aristocracia. Vá de praxar, numa vingança de classes, ele que nunca viu a avó tomar banho, achava normal que se tapasse o forno com bosta, coçava os colhões em público enquanto escarrava, como sempre viu os seus fazerem. Mas era dr. ou eng. num qualquer curso em as propinas asseguravam percurso tranquilo a quem possuísse conhecimentos equivalentes ao Trivial Pursuite Junior. Como epidemia, propagou-se. Quem foi criado na bosta pode encher-se dos mais caros perfumes, mas a dita dificilmente lhe sairá da corrente sanguínea. E não, isto não é teoria classista, é educação básica, bem que escasseia da primária às velhas universidades. É necessário ser claro, a massificação do ensino falhou, senão na parte académica – e mesmo aí tenho sérias dúvidas – na formação cívica e de cidadania. Caso contrário as praxes seriam um capítulo negro votado ao esquecimento.

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2 comentários

De henedina a 28.01.2014 às 23:51

Eu fui praxada. Fizeram uma fila e molhavam com agua, farinha, batiam (violentamente mas sem lesões) nas costas e cabeça enquanto passavamos pela fila para entrar na aula. Na porta do anfiteatro,um "doutor" encheu-me a cara de creme de barbear. Dificilmente via porque encobriu tambem os olhos, tirei o creme com as duas mãos que limpei na cara do "doutor",literalmente. Sou primária. Estava mesmo a porta do anfiteatro. Não fixei a cara, e tenho pena, mas fixei o tom e o ar de susto - passa, passa rápido antes que eles vejam o que fizeste - e empurrou-me para dentro. Quando contei disseram-me tiveste muito sorte se ele tivesse chamado a atenção estavas completamente "lixada".

De Fernando Lopes a 29.01.2014 às 00:43

Resistir aos merdosos, sempre. :)

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