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Clientela habitual.

por Fernando Lopes, 4 Ago 16

Há muitos, muitos anos, antes de o turismo de massas ter tomado conta da ilha do Porto Santo, passei lá umas férias. O sítio era como gosto, uma calmaria total, restaurantes familiares que nos iam buscar e levar ao hotel, um ou dois bares onde todos se conheciam, o Manel da Carreta ainda não era atracção turística. Alugámos dois carros utilitários (éramos seis) para uns dias de passeio pela ilha. No turismo indicaram-nos um bar num planalto de onde se tinha vista para o aeroporto e para a pista, que naquele local cruza a ilha quase de uma ponta à outra. Nessa época não havia GPS, pelo que, guiados por mapas e questionando os indígenas, demos com o objectivo.

 

Era um sítio maravilhoso, oásis no meio da aridez da ilha, com árvores, pequenos lagos, peixes, patos e outras aves passeando-se por entre os escassos clientes.

 

Perguntamos ao proprietário porque não fazia publicidade. A resposta foi clara:

 

- Não quero cá muita gente, fazem barulho, estragam as plantas, não respeitam os animais, causam mais transtorno que proveito. Prefiro os clientes habituais e um ou outro que vêm cá por recomendação de amigos, são pessoas de confiança, respeitam a casa e o ambiente.

 

Dei por mim a pensar como isto se aplica a este blogue. Conheço os meus fregueses, as suas manias e eles as minhas, tratam-me bem, tudo funciona. Não quero cá muita gente, corre-se o risco de estragar o bom ambiente, afastar a clientela habitual, tratar mal este animal que vos escreve. O dono do bar estava certo.

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4 comentários

De Rita a 05.08.2016 às 10:27

Dei por mim a pensar que embora converse mais vezes com o dono do café que frequento, tenho sempre conversas mais interessantes nos bares por onde passo em turismo.

De Fernando Lopes a 05.08.2016 às 13:02

Normal seria ter mais à-vontade com o sítio que frequenta habitualmente.
Não é um bom taberneiro, eu falo imenso com a minha clientela. :)

De Rita a 05.08.2016 às 15:16

Não estava a desconsiderar o meu Sr. Miguel! A clientela habitual é como família. Mas a maior parte das minhas "histórias para contar aos netos" não as tive no café da esquina. Talvez as conte no café da esquina!
Tem aqui uma boa taberna. Felicidades.

De Fernando Lopes a 05.08.2016 às 16:30

É com gosto que a recebo e ofereço um copo de três. :)

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