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Beatas.

por Fernando Lopes, 28 Jul 14

Hora de almoço, porta do centro comercial. Fumo um último cigarro antes de subir. Um homem alto, cabelo grisalho desgrenhado, faces encovadas e olhos escuros, mecanicamente apanha as betas da areia e mete-as ao bolso. Não olha para ninguém, cabeça baixa a evitar olhares de censura, nojo ou simples surpresa.

- Deixe isso aí, eu dou-lhe um cigarro.

Agradece-me com um aceno de cabeça e parte, cigarro aceso.

Ninguém deveria estar sujeito a tal humilhação, especialmente por um vício tão «inócuo» como o do tabaco. 

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6 comentários

De Efeminúsculo a 28.07.2014 às 20:31

Parte o coração! E que seja o vício do tabaco. Até um sem abrigo, ou um ser menos afortunado, tem direito a dar uma "passa" para se sentir incluso... Quando a sociedade os aparta de ela de uma forma tão madrasta! Seja um cigarro, um pão, um café, um bolo. Um par de sapatos, camisa, calças ou o que for. Não nos faz assim tanta falta e a eles... Quem nos diz que um dia, a bitola não parte e podemos ser nós! Eu tento. O mais que posso! Não sou rica (e agora), cada vez a "coisa" se complica mais para o meu lado, mas há-de sobrar sempre qualquer coisa, que lhes aqueça a alma. Encha os pulmões de gozo. E a boca de riso, ou o olhar! Nem que seja o fumo. Se for para alguém ter um minuto de felicidade? Pois que seja! Bem haja pelo post Fernando. Tudo de bom e uma excelente semana para vós!

De Fernando Lopes a 28.07.2014 às 21:07

Sinto o mesmo, cada vez mais. Com maior ou menor dificuldade vamos conseguindo sobreviver. Outros há a quem o simples prazer de um cigarro é sonegado. 


Abraço.

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