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Avença com a angústia.

por Fernando Lopes, 12 Ago 14

Estou numa floresta muito densa, escura, húmida. Corro a refugiar-me junto de uma enorme árvore de aspecto ameaçador cujos ramos se inclinam sobre mim como os dedos longos e finos de uma bruxa. Tenho medo, sinto-me desoladamente só. Grito para que me acudam, num timbre grave e rouco. Chamo a avó, a mãe, a minha mulher. Inútil, ninguém responde. Choro compulsivamente, até que as lágrimas, como gotas de chuva, se acumulem no queixo, um fio de baba fique pendente, os olhos me doam e saiam fora das órbitas.

 

Acordo encharcado em suor e ouço a respiração lenta e sincopada da Teresa. Estranho sonho, em que tenho medo do que está à minha volta, procuro refúgio nas mulheres que me estão mais próximas, ando perdido num labirinto de verde. Talvez uma metáfora para a vida, apenas um pesadelo, ou mais?

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