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Ateu, graças a deus.

por Fernando Lopes, 24 Nov 15

Algo que ostento com certa soberba é o facto de não ter sido baptizado, algo absolutamente invulgar nos idos de 1963. As religiões, dogmáticas por natureza, sempre foram obstáculo ao livre pensamento. Tiveram os seus membros brilhantes, que defenderam a liberdade, igualdade, justiça, mas sempre foram excepções, já que qualquer religião oprime, normaliza, arregimenta. A nossa finitude, o porquê de aqui estarmos e sermos, são questões que não encontram respostas na filosofia, muito menos na religião.

 

Os fanáticos islâmicos que matam quem vive de modo diferente do que um texto medieval preconiza, os padres pedófilos, conventos que escravizam noviças, loucos judeus que impedem a autodeterminação de um povo, são todos farinha do mesmo saco.

 

Ser ateu e não querer nada com a pestilência fanática e acrítica das religiões é a única atitude possível para um ser pensante digno desse nome no século XXI.

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2 comentários

De Ana A. a 25.11.2015 às 12:13

"Algo que ostento com certa soberba..."
Ora, aí está! Fosse o Fernando fiel ou simpatizante de alguma religião saberia que não se "deve" sentir soberba e muito menos vangloriar-se dela em público. :)
A espiritualidade é muitas vezes confundida com a religião. Eu, sendo criada na religião católica, debandei aos 17 anos e vagueei entre o niilismo até à espiritualidade, que não tem que ver com qualquer religião, obviamente! Assim, em 1998 não baptizei a minha filha, e houve uma certa altura em que lhe era estranho as coleguinhas da primária irem para a catequese e ela não. Frequentou no 5º ano a disciplina de Religião e Moral, mas a partir do ano seguinte já não foi, pois essa disciplina tinha uma vertente muito mais catequizadora do que história das religiões.
Distingo entre o Ser religioso e o Ser espiritual. E o que é bom para mim não será, necessariamente, bom para o outro. Mas o que é mau para mim poderá ser mau para o outro, logo, tento tratar os outros como gosto de ser tratada.
E porque gosto do Fernando desejo-lhe, sinceramente, que com crenças ou sem crenças seja feliz, e viva com a maior paz de espírito possível!

De Fernando Lopes a 25.11.2015 às 19:03

Eu também distingo entre religioso e espiritual, principalmente quando esse espiritualismo se converte em humanismo. Paz de espírito é que não sei o que é, nasci, cresci e vou morrer atormentado.


Abraço.

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