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Amor-próprio.

por Fernando Lopes, 2 Ago 16

Não sendo um prodígio de auto-estima, fazem-me confusão os homens que por um rabo-de-saia deixam de ser quem são. Vejo-os por aí, a seguir a fêmea desejada com se de um rafeiro se tratasse, sem personalidade, vergando-se a caprichos, sendo joguete nas mãos de quem assim o quiser. Se há coisa que não fiz, por muito apaixonado que estivesse, foi deixar de ser quem sou, manter um lampejo de racionalidade nos afectos. Não me vergo aos desejos de uma qualquer ninfa mesmo que tenha grande vontade de o fazer. Manter-me no meu lugar, ter personalidade, carácter, o meu modo de fazer as coisas, é algo de que não abdico. Dir-me-ão que nunca estive verdadeiramente apaixonado. Ao ponto de perder a identidade, de facto, nunca. As pouquíssimas mulheres que me amaram verdadeiramente nunca pediram que me transformasse em algo que não sou, nunca quiseram ter um «escravo do amor», antes um homem inteiro, íntegro, pleno de altos e baixos, seguro das suas inseguranças, mas mantendo sempre, sempre, a cabeça erguida. Sei que o que escrevo é polémico, passível de críticas, que me dirão que nunca vivi a loucura do amor. Se existem pessoas que deixam de ser quem são pelo facto de estarem num momento de grande envolvência amorosa, não eu. Assim sempre fui e assim vou permanecer.

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5 comentários

De Carlos Azevedo a 03.08.2016 às 02:09

Não vejo razões para o que escreveste ser polémico. Também nunca perdi a minha identidade nem abdiquei de nenhuma das minhas características por causa duma paixão. O mesmo já não posso dizer de muitas noites de sono, mas abdiquei delas com (e, sobretudo, pelo) prazer. ;-)

De Fernando Lopes a 03.08.2016 às 07:30

Muitos me dizem que nos transformamos. Ter dor de barriga, não pensar em mais nada, sim. Deixar de ser quem se é, nunca. Seremos tipos estranhos? 

De Carlos Azevedo a 03.08.2016 às 10:43

Não pensar em mais nada, deixar de comer, andar com um sorriso parvo de orelha a orelha, acreditar que desta é que é que é de vez, etc. Não deixa de ser um pouco aparvalhado, mas faz parte da paixão. E, apesar de ser raro, isto pode durar muitos, muitos anos. O meu primo namora com a A. desde os 14 anos (apesar de ser uma dúzia de anos mais novo do que eu, pode-se dizer que a relação dura há uma eternidade...) e ainda fala dela como se tivesse começado a namorar há uma semana. Constatei isso uma vez mais ontem, quando ele chegou a Londres e lhe perguntei por ela. É bonito.

De Fernando Lopes a 03.08.2016 às 12:27

Conheço alguns casos assim, de namorados de infância que trinta e tal anos depois permanecem juntos e apaixonados. Existem poucas coisas mais enternecedoras.

De Carlos Azevedo a 03.08.2016 às 13:57

Sim, é muito enternecedor. 

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