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A questão.

por Fernando Lopes, 20 Jun 16

tv_cedofeita.jpg Travessa de Cedofeita, Porto

 

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4 comentários

De Ana A. a 20.06.2016 às 18:35

Se eu pensasse que estava onde queria estar, provavelmente, sentiria enfado e ainda mais sem-sentido... 

De Fernando Lopes a 20.06.2016 às 18:59

Não, procurava mais, melhor. É a natureza humana. 


Chegara àquela idade em que lhe ocorria, com crescente intensidade, uma pergunta de uma simplicidade tão avassaladora que não tinha como a enfrentar. Dava por si a perguntar-se se a sua vida valeria a pena, se alguma vez valera a pena. Era uma pergunta, desconfiava ele, que assolava todos os homens a dada altura; perguntou-se se os assolaria com uma força tão impessoal como o assolava a ele. A pergunta acarretava uma tristeza, mas era uma tristeza geral que (pensava ele) pouco tinha que ver consigo ou com o seu destino em particular. Nem sequer tinha a certeza se a pergunta surgia das causas mais imediatas e óbvias, daquilo que a sua própria vida se tornara. Provinha, julgava ele, do acumular dos anos, da densidade de acidentes e circunstâncias, e do que aprendera sobre eles. Tirava um prazer cruel e irónico da possibilidade de o pouco que aprendera o ter levado a essa certeza: que, a longo prazo, todas as coisas, incluindo a aprendizagem que lhe permitia chegar aquela conclusão, eram fúteis e vazias, e por fim reduziam-se a um nada que não conseguiam alterar.

De Ana A. a 20.06.2016 às 22:37

É. A idade tem o condão de nos reposicionar no lugar de apenas mais um entre muitos, com os sonhos que não concretizamos e vivendo uma realidade com que não sonhamos! Se calhar o erro está nos sonhos! :)

De Fernando Lopes a 20.06.2016 às 22:45

Tem de ler o «Stoner» de John Williams. É uma reflexão sobre a vida e a capacidade constante de nos mantermos vivos, vivos no sentido de sonhadores, apaixonados, idealistas, muito para além do previsível. 

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