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A irmandade do álcool etílico.

por Fernando Lopes, 27 Dez 13

Há anos, ao fazer compras de final de tarde, deparava com uma estranha irmandade. Trabalhadores da construção civil, ucranianos e africanos unidos, após o trabalho, juntavam moedas para comprar pacotes de vinho barato e álcool a 70º. Uma mistura explosiva, destinada a apagar tudo, dor, memória, saudade. Desapareceram. Terão morrido, regressado à sua terra, serão dos que dormem no vão das lojas? O sector que enriqueceu muitos com a sua desgraça, que lhes alimentava o vício, pereceu. Provavelmente, mesmo vivos, morreram com ele.

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6 comentários

De henedina a 27.12.2013 às 20:15

Não, quem escreve assim, não deve ser machista.
"Uma mistura explosiva, destinada a apagar tudo, dor, memória, saudade.". E, diz que não tem mundo.
"Fingidor".

De Fernando Lopes a 27.12.2013 às 20:23

Eram alianças improváveis em que a necessidade comum do esquecimento superava a barreira da língua. Irmãos no infortúnio. Dei muitas vezes um ou dois euros, sabendo que estava a fazer asneira da grossa, mas também eu poderia ser um deles. Apenas tenho tido mais sorte.

De henedina a 27.12.2013 às 21:15

Hoje o seu dia foi de purgatório? Se tivesse um blogue com nome de diário acho que seria diário do inferno. Sou, um bocadinho, exagerada.
O meu dia até que não foi mau.

De Fernando Lopes a 27.12.2013 às 22:33

Todos os meus dias são um purgatório, não no sentido religioso ou "dantesco", mas é como estar no meio de coisa nenhuma.

De henedina a 27.12.2013 às 22:57

Rotina não é o meu problema. O seu trabalho é rotineiro? Então o blogue é a escapatória.
Dizem que "O sabor da vida depende que quem a tempera". Oh homem que diz que companhia é mais essencial para o ser humano que a água potável não devia sentir que o dia é coisa nenhuma. Os 50 anos estão-lhe a fazer mal?

De Fernando Lopes a 28.12.2013 às 00:07

Um amanuense tem por definição uma vida monótona, ou se quiser de irrequieta quietude. Curiosamente, estava agora a ler um entrevista de Lobo Antunes - de quem não gosto, acho convencido e críptico - e no entanto responde como ontem lhe respondi: "A gente escreve para gostarem de nós.", diz o sábio.

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