Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Matar-se.

por Fernando Lopes, 17 Dez 13

A forma como um homem põe termo à vida nunca é insignificante. Matar-se é uma afirmação decisiva, a mais decisiva de todas, porque não se limita a cancelar qualquer possibilidade futura, como obriga a recapitular cada gesto e decisão anteriores à luz desse acontecimento.

 

O suicídio é a expressão máxima da vontade de perdurar. Quando Rothko põe fim ao seu tempo e ao seu corpo testemunha, de forma irrefutável, que teria desejado habitar outro tempo e outro corpo.

 

Cada suicida resume assim as antinomias entre eternidade e temporalidade, espírito e matéria, necessidade e liberdade. Um homem não põe fim à vida porque o mundo ou os humanos o repugnam mas pela dor que sente ao não poder encarnar num corpo diferente daquele que lhe coube em sorte. 


“A luz é mais antiga que o amor” – Ricardo Menéndez Salmón

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Comentar:

De
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.
Comentário
Máximo de 4300 caracteres

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • JOSÉ RONALDO CASSIANO DE CASTRO

    O Pretinho do Japão é citado, como profeta, em Ram...

  • Anónimo

    Quando a sorte é maniversa nada vale ao desinfeliz...

  • M Manel

    Só agora vi a mensagem anterior - note-se que quem...

  • M Manel

    Uma ajuda... Arranja aí uma base para eu poder de...

subscrever feeds