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Residentes no Exterior.

por Fernando Lopes, 30 Ago 13

O país, assim, com letra pequena, pindérico e merdoso que é Portugal, já não tem emigrantes. Tornaram-se, por um passo de marketing, “residentes no exterior “. Não é piroso, dá até um toque sofisticado a quem trabalha nas fábricas do Luxemburgo, obras em França ou restaurantes londrinos.

 

Queremos o seu dinheiro, rejeitamos a sua condição. Esse mole imensa que fomentou a economia local construindo casas, enviando dinheiro para a família, criando pequenos negócios aquando do regresso, é vista de soslaio por quem deles se alimentou.

 

Uma nação que força os seus filhos a abandoná-la em busca de uma vida melhor e agora os trata de forma sobranceira, a armar ao sofisticado, não os merece. Melhor deixá-los gastar e guardar o dinheirinho onde o valor do seu trabalho foi reconhecido. Cá, para as elites, e em surdina, continuam a ser uns bimbos que dão muito jeito.

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3 comentários

De Carlos Azevedo a 30.08.2013 às 12:54

Fernando, a questão é mais complexa do que isso.
Admiro imenso quem tem/teve a coragem de ir à luta, e o pessoal que saiu do país nos anos 60/70 fê-lo em condições inimagináveis. Contudo, muitos emigrantes regressam ao país cheios de sobranceria (conheci uma que se referia às «portuguesas», como se ela própria houvesse deixado de o ser).
Por outro lado, sabes bem que o termo emigrante sempre foi utilizado para designar quem foi trabalhar no duro. Ninguém chama ou alguma vez chamou emigrante a um tipo que tenha ido trabalhar numa sociedade de advogados em S. Paulo ou dar aulas numa universidade norte-americana.
Abraço.

De Fernando Lopes a 30.08.2013 às 13:21

Carlos,

É claro que há emigrantes pretensiosos que esqueceram o local que os viu nascer. Compreendo-os, porque não lhes foi dada a estrutura intelectual para lidar com as origens ou o “sucesso”. Por culpa de quem? Quais as circunstâncias que os obrigaram a abandonar a escola com a 4ª classe ou nem isso? Será que legitimamente os posso culpar da falta de algo que lhes não foi dado?

Os outros, Carlos, são emigrantes de luxo, não cabem neste pequeno post.

Abraço.

De Carlos Azevedo a 30.08.2013 às 14:25

Fernando,
só um esclarecimento: bem sei que há muitas variantes que explicam a sobranceria de muitos emigrantes, e, certamente, a Psicologia e a Sociologia explicam tudo. Pretendi apenas dizer-te que a sobranceria não é uma estrada de sentido único.
Abraço.

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