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14 de Março de 2005.

por Fernando Lopes, 14 Mar 13

Em vez das palavras da praxe, o pai vai contar-te como tudo se passou. Quatro meses antes de nasceres, foi diagnosticado à mãe, citomegalovírus. Uma variante de herpes, inofensiva para todos, à excepção de grávidas. Consultámos vários médicos, analisamos a possibilidade de nasceres em Houston, nos Estados Unidos. A doença da mamã podia causar-te surdez, atraso mental e outros problemas de saúde. Disseram-nos que o risco de teres sequelas era pequeno, mas tivemos medo, muito medo. Afinal, eras o nosso bebé.

 

Às 9 da manhã fomos para a Ordem, onde nascerias num parto programado. A Dra. Fernanda, depois de acalmar a mãe, consentiu que o pai assistisse. Cortaram a barriga, o anestesista empurrou-te os pés com muita força, e apareceste. Linda.

 

Estranhamente, a sala onde faziam o teste de Apgar, era ao lado do local do parto. O pai, vestido de verde, corria como um louco, entre uma sala e outra:


- A bebé está bem!

- A mãe está bem! Vamos "fechar".

 

E o pai esbaforido, como uma barata tonta, para cá e para lá. Limpei-te o primeiro cocó. Era verde, como se tivesses comido algas. Lá fora estavam 26º, um dia lindo. Olhei pela janela e alegrei-me com o teu nascimento, o sol, a primavera. Pressenti que tudo iria correr bem. Tinha razão. Amo-te.

 

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2 comentários

De Ana A. a 14.03.2013 às 17:05

Parabéns à família Lopes e um grande beijo para a M.

Enterneceu-me a descrição pelo facto de no caso da minha filha, e tendo eu já 42 anos quando engravidei e sendo a 1ª gravidez, havia um certo receio que as coisas corressem mal, de modo que fiz o teste da amniocentese , também não estava imune à toxocoplasmose , o que requeria certos cuidados. No entanto, sendo muito curiosa, tinha na minha posse um livro que me ofereceram sobre todas as fases da gravidez e os riscos inerentes a cada fase. Bom, eram tantos e tão graves alguns, que eu só pensava que, contrariamente ao habitual, em que se pensa ter azar quando algo corre mal, eu concluí que quando tudo corre bem, somos uns grandes sortudos!

Aconteceu também, que enquanto não fui mãe, achava estúpido e redutor alguém confessar que um filho lhe dava algum sentido à vida! Hoje sei, que no meu caso a minha vida poderia ter sido muito diferente (para pior) se a minha filha não existisse.

Abraço

De Fernando Lopes a 14.03.2013 às 18:42

Quanto mais não seja, pelo simples facto de recentramos a nossa vida em outro, muda tudo. Não tenho dúvidas que a maternidade/paternidade, nos melhora enquanto seres humanos.

Abraço.

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