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O Tempo Parado

por Fernando Lopes, 21 Fev 12

Namoraram-se durante a adolescência. Uma relação fugaz, que o tempo não marca senão com memórias ternas. Tinham seguido caminhos diferentes, ela era professora, ele jovem advogado de sucesso. Quis o fado que, anos depois, casados, se encontrassem entre carrinhos de supermercado, papas lácteas e arroz agulha. Da rapariga franzina e tímida já pouco restava. À sua frente estava um mulher de trinta anos, com dois filhos pela mão, elegante, segura de si, e contudo, para lá do que se vê, a adolescente doce que havia amado. Enquanto trocavam banalidades, era como se tudo tivesse parado. Nada existia a não ser a sua presença, a voz calma e compassada, o sorriso doce. Não sabe Pedro se falaram um minuto, uma hora. Os mecanismos da memória embriagaram-se perante afectos que julgava esquecidos. Retira-se, arrastando os miúdos, sem acabar as compras, cambaleante, como se tivesse sido sugado para uma espiral em que, como nos romances, a eternidade existe para ser vencida. Veio-lhe à memória "O Amor Nos Tempos de Cólera" e viu-se protagonista de um romance em que o amor havia vencido o tempo.

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    Sempre a considerá-lo sr. dr. soliplass. Digamos q...

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    Nunca nada é linear, então no amor é melhor nem fa...

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