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desabafo

por Fernando Lopes, 19 Jan 12

Às sextas o clã reúne-se em casa da mãe. Apesar de já septuagenária e sempre pouco dada às lides domésticas, enche-se de força para fazer o jantar. Não por mim, filho dispensável, criado longe do afago materno. Perpetua um estranho conceito de família, em que o marido sempre foi figura central. Com a morte prematura do seu deus, resta-lhe recorrer a uma ficção. Não que não goste da mãe, do mano ou da sobrinha. Gosto e muito. Mas nunca uma relação mãe-filho pode percorrer os caminhos do banal, quando lhe escutei, no desespero da viuvez recente, o desabafo de que preferiria ter perdido um filho ao marido. Os laços, já ténues, desapareceram nesse momento. Vivemos nesse fingimento de uma normalidade que nunca existiu, e esse sentido murmúrio enterrou definitivamente.

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1 comentário

De MManel a 23.01.2012 às 12:19

"Pau que nasce torto, até a cinza sai torta ... - já dizem os brazucas"

Do que li, gostava que não tivesse sido uma conversa direta convosco, e que assim sendo, pudesse haver algum mal entendido...

Mas conhecendo todas as partes, no fundo, no fundo não é surpreender a afirmação patológica, dada de quem veio.

Amor entre os humanos, sim, devoção não.

Bj grande

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