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A Boulangerie e o sem-abrigo

por Fernando Lopes, 7 Mar 11



Quando não tenho de deixar a minha filha no infantário, vou a pé para o emprego. Esses 15 minutos que separam a minha casa do local de trabalho não podiam ser mais contrastantes. São a imagem do país que temos. Vejo carros de 100.000 euros saírem de luxuosos condomínios em que os apartamentos custam mais de 500.000 euros. Barbeiro e drogaria paradas no tempo. Pedintes romenos. Lojas de chineses. Empreiteiros que saem de braço dado do Consulado do Brasil, exibindo voluptuosas brasileiras, como se de um Ferrari ou diamante se tratasse. E vejo este sem-abrigo. Dorme à porta da La Boulangerie de Paris. Um estabelecimento de algum luxo, salão de chá, pastelaria e padaria para classes abastadas. A ironia desta situação causa-me sempre alguns arrepios. Uns enchem a barriga com francesices, outros, sem abrigo, dormem de costas para o sol, para enganar a luz, para não verem um novo dia que não lhes apetece viver.

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1 comentário

De Anónimo a 07.03.2011 às 21:51

Fernando, meu caro

Um mundo de ambiguidades no qual temos que viver e desejar que um dia não façamos parte dessa "classe" que julgo cada vez maior e da qual quando cruzamos por ela na rua , "fingimos não a ver" por são a nossa vergonha.

Um abraço amigo,
emanuel

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