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Fundamentalismos

por Fernando Lopes, 25 Jul 11



O atentado ocorrido na Noruega tem-se prestado às mais diversas interpretações. O mainstream tende a separar o facto de o atentado ter sido concebido e perpetrado por um cristão da sua dimensão religiosa. Dois pesos e duas medidas que chocam quem, apesar de culturalmente integrado na matriz judaico-cristã europeia, se sente distante do divino e das perturbações a ele associadas.

No entanto, o fundamentalismo católico existe. O Papa Bento XVI já mostrou a sua permissividade para com as missas em latim e movimentos católicos radicais. A missa em latim passaria a ser um ritual medieval, incompreensível para a esmagadora maioria dos católicos. E isto é uma forma encapotada de submissão dos fiéis aos pastores e um rito que dista muito pouco das orações das madrassas repetidas ad infinitum até que sejam interiorizadas como a verdade única.

Existe fundamentalismo católico, ou cristão num sentido mais lato, na América de Sarah Palin e de Michele Bachmann, na Igreja católica de Bento XVI, na Opus Dei e em outros movimentos católicos de cariz conservador. Atirar pedras ao que nos é estranho, é sempre a atitude fácil. Compreender que o fundamentalismo é transversal e existe também no cristianismo é essencial sob pena de num mundo plural sermos tentados a ver e compreender uma verdade parcelar.

P.S. - Reflexões complementares no arrastão e no albergue.

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1 comentário

De Fernando Lopes a 25.07.2011 às 14:01

Manel,

De acordo. Apenas linhas cruzadas que já descodifiquei. As explicações "antropológicas" e outras que ouvi, mataram-me aos bocadinhos. Para enriquecer o "debate" fica aqui um texto sobre fanatismo roubado ao Albergue Espanhol.

"A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar. Nessa tendência tão comum de melhorar o vizinho, de corrigir a esposa, de fazer o filho engenheiro ou de endireitar o irmão, em vez de deixá-los ser. O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio. Quer salvar a nossa alma, redimir-nos. Livrar-nos do pecado, do erro, do tabaco, da nossa fé ou da nossa carência de fé. Quer melhorar os nossos hábitos alimentares, ou curar-nos do alcoolismo e do hábito de votar. O fanático morre de amores pelo outro. Das duas uma: ou nos deita os braços ao pescoço porque nos ama de verdade ou se atira à nossa garganta em caso de sermos irrecuperáveis. Em qualquer caso, topograficamente falando, deitar os braços ao pescoço ou atirar-se à garganta é quase o mesmo gesto. De uma maneira ou de outra, o fanático está mais interessado no outro do que em si mesmo, pela simples razão de que tem um mesmo bastante exíguo ou mesmo nenhum mesmo"


Amos Oz - Contra o fanatismo


Kiss

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